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Introdução à Supremacia de Cristo

Tópicos desse texto:

  1. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE SEU NASCIMENTO
  2. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE A CRIAÇÃO
  3. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE A MORTE

INTRODUÇÃO

A supremacia de Cristo é um tema controverso e polêmico, mas fascinante e revelador. Esta doutrina nos ensina que Cristo é, como Ele é, epor que é.

De acordo com o Dicionário Online de Português supremacia é “superioridade completa que não se pode contestar. É o poder que é exercido de maneira suprema. É a total e incontestável superioridade”.

         Nesse rápido comentário não pretendemos esgotar a temática, até porque mesmo se desejássemos, não conseguiríamos. Apenas daremos uma rápida pincelada no assunto com a ajuda do Espírito Santo.

  1. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE SEU NASCIMENTO

700 AC, o profeta Isaías vaticinou que Jesus nasceria de uma virgem (Is 7.14). No NT tanto Mateus como Lucas declararam que Jesus nasceu de uma mãe virgem, sem a intervenção de pai humano, e que Ele foi concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.34,35). Eis o texto:

Mt 1.18 “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo”.

Mt 1.23 “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: Deus conosco)”.

Mt 1.25 E” não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS”.

1.1. É de toda importância o nascimento virginal de Jesus.

Para que o nosso Redentor pudesse expiar os nossos pecados Ele teria que ser tanto Deus como homem (Hb 7.25,26). Por isso a única maneira de:

  1. Ele nascer como homem era nascer de uma mulher;
  2. Ele ser um homem impecável era ser concebido pelo Espírito Santo (Hb 4.15);
  3. Ele ser deidade, era ter Deus como seu Pai.

Por isso, Jesus Cristo nos é revelado como uma só Pessoa divina, com duas naturezas: divina e humana, mas impecável.

1.2. Uma Barreira Cromossômica

Cada espécie possui um conjunto cromossômico típico em termos do número.

A espécie humana possui 23 pares de cromossomos, sendo 22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos sexuais. Os autossômicos são aqueles que determinam as características comuns à espécie. Os cromossomos sexuais são aqueles responsáveis pela determinação do sexo do indivíduo e são identificados pelas letras X e Y, onde XX são mulheres e XY homens.

1.3. Transposição da Barreira Cromossômica

A fim de que Jesus transpusesse essa barreira e assim nascer homem, a Divindade interferiu, vejamos:

  1. Jo 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.
  2. João 17.3 “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
  3. Lc 1.35 “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

2. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE CRIAÇÃO

Ap 3.14 “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”.

Como Jesus pode ser “o princípio da criação de Deus” (Ap 3.14) sem ter sido criado?

Será que o Apóstolo João quis dizer que Cristo é a primeira criatura de Deus?

Para a Sociedade Torre da Vigia (STV) a expressão “princípio da criação de Deus” significa que, Jesus teria sido criado por Deus para ser o criador de todas as outras coisas.

2.1. Resposta exegética

A resposta está errada por três motivos:

  1. Porque o texto diz princípio da criação e não primeira criação;
  2. Porque o texto diz criação e não criatura;
  3. Porque o uso da expressão princípio da criação nas Escrituras exclui a possibilidade de que esse texto seja entendido como primeira criatura.

A diferença entre princípio da criação e primeira criação.

  1. Observe-se que o texto não diz que Cristo é a primeira criação, mas princípio;
  2. A palavra princípio, em grego éἀρχή (archê), que em nenhum lugar no Novo Testamento é usado no sentido de “primeiro“;
  3. O termo grego usado para descrever primeiro é πρωτός (prötós).

Portanto,é equivoco inferir que o termo ἀρχή significa que Cristo é a primeira criação.

  1. A diferença entre criação (κτίσις – ktísis), e criatura (κτίσμα – ktísma).
  2. O termo grego κτίσις – ktísis é usado para descrever o ato da criação (Ap 3.14; Rm 1.20) ou a criação como um todo (Mc 10.6);
  3. Entretanto, o termo grego para descrever criatura é κτίσμα – ktísma (Ap 5.13; 8.9).
  4. A expressão princípio da criação no Novo Testamento

Outra observação que devemos fazer é que a expressão ἡ ἀρχὴτῆςκτίσις(hearchetesktísis) nunca tem o sentido de primeira criatura, mas sempre aponta para o início da criação.

Em Mc 10.6 nós lemos: “porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher”. Nesse caso é evidente que o uso da expressão princípio da criação (ἀρχῆςκτίσις) nada tem a ver com a ideia de uma primeira criatura (cf. Mc 13.19).

2.2. Em que sentido Cristo é o princípio da criação?

Em primeiro lugar,devemos observar que a expressão está sendo usada como um título e não como uma descrição.

A. Em Apocalipse Ap 1.5, João apresenta diversos títulos de Cristo, observe cada título acrescido é apresentado com o uso do artigo grego “ho”.

a) Texto grego: ὁ πιστός, ὁμάρτυς, ὁ πρωτότοκοςτῶννεκρῶν καὶ ὁ ἄρχωντῶν βασιλέωντῆςγῆς

b) Transliterado: hopistós, homartus, hoprötótokostönnekrönkaihoarchentönbasiléöntesges.

c) Tradução: “… a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra…”

B. O mesmo fenômeno acontece em Ap 3.14: “o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”.

a) Texto grego: ὁ Ἀμήν, ὁ μάρτυς ὁ πιστὸς καὶ ἀληθινός, ἡ ἀρχὴτῆςκτίσιςτοῦθεου

b) Transliterado:hoamén, homartushopistóskaialëthinós, he arché tësκτίsιstoutheou).

c) Tradução: “… O Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”.

Com isso queremos dizer que João não está a descrever a Cristo, mas está apresentando os títulos que possui.

Em segundo lugar, a expressão ἡ ἀρχὴ (he arché) em referência à Cristo acontece mais duas vezes no próprio livro de Apocalipse.

a) Em 21.6 nós lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim“. Nada existe antes dele, nem depois dele haverá;

b) Em 22.13 nós lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim“.

Essas expressões utilizadas como títulos, afirma que Cristo é aquele que é O Primeiro e aquele que é O Último, clarificando o sentido das expressões O Alfa e Ômega e O Princípio e Fim.

Nenhuma linguagem é mais contrária a ideia de que Cristo é criado do que a de Apocalipse. Se ele fosse uma criatura, jamais poderia ser o primeiro, ele seria na melhor das hipóteses o segundo.

Portanto, a expressão ἡ ἀρχὴτῆςκτίσις (hearchetesktísis) deve ser entendida dentro do contexto de Apocalipse.

2.3. A Expressão “Primogênito”

Cl 1.15 “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Como Cristo pode ser “o primogênito de toda a criação” sem ter sido criado?

No Novo Testamento, Cristo é chamado de o Primogênito (grego πρωτοτοκοςprototokos):

  1. O Primogênito: “E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6). A ideia está assim reenfatizada que os anjos adoram o Filho porque lhe são subordinados;
  2. O primogênito de toda a criação:“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl.1.15). Como “o primogênito de toda a criação” Cristo é o Soberano absoluto sobre toda a criação, pois “nEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9);
  3. O Primogênito dos mortos: “E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o príncipe dos reis da terra…” (Ap 1.5), Aquele que, os quais morreram Nele podem confiar, pois até da morte Ele é Senhor;
  4. O primogênito de entre os mortos: “E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência, (Cl 1.18). Jesus Cristo foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos com um corpo espiritual e imortal (1 Co 15.20; Ap 1.5). No dia de sua ressurreição, Jesus se tornou a cabeça da igreja. O fato de Cristo ser o “primogênito” dentre os mortos importa na ressurreição subsequente de todos aqueles por quem Ele morreu;
  5. O primogênito entre muitos irmãos: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”, (Rm 8.29).O termo primogênitosignifica o mais alto em hierarquia ou posição. A supremacia é sobre e entre muitos irmãos.

Se Cristo houvesse sido gerado em algum momento na eternidade, como poderia ser chamado em Isaías 9:6 de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade”? Nesse caso, Ele não seria “Pai da Eternidade”, mas simplesmente uma criatura que veio à existência em algum momento específico da eternidade!

2.4. Cristo é Criador, não criatura

  1. Hb 1.2 “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo”. Ele é ambos, herdeiro e agente da criação. O universo. O grego aiones, “eternidade”, incluindo o mundo espacial. Observa-se que antes da criação é constituído herdeiro;
  2. Jo 1.3 “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”;
  3. Cl 1.16,17 “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. 17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.
  1. A SUPREMACIA DE CRISTO SOBRE A MORTE

A morte é uma das experiências mais dolorosas do ser humano, isto porque, ela tolhe, rouba, arrebata de nós aqueles que amamos, nos ocasionando a dor da separação

Demonstração de Sua soberania sobre a morte

  1. Ressuscitou o filho da viúva de Naim, (Lc 7.12-15);
  2. Ressuscitou a filha de Jairo, chefe da sinagoga, (Lc 8.49-55);
  3. Ressuscitou Lázaro, morto há quatro dias, (Jo 11.38-44).
  4. Através dos exemplos citados, não nos ficam quaisquer dúvidas de que o Senhor exerceu poderosamente o domínio, o controle, sobre a vida e a morte. Porém o seu poder sobre a vida e a morte ficou ainda mais evidente, quando Ele venceu a própria morte ao levantar-se dentre os mortos, com provas incontestáveis! At 2.23,24: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; 24 ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela”.

3.1. Sua Soberania Sobre a Morte nos Assegura a Salvação

  1. Jo 5.28-29, “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. 29 E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação”.
  2. Jo 11.25, “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”;
  3. Hb 2.14 “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.”
  4. Ap 1.18 “E o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno.

Pr. Me. Vicente Paula Leite