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A Natureza de Deus

Quem é Deus? O que constitui a natureza divina? Qual é o modo de ser de Deus?

Com a palavra “natureza” indicamos as características que diferenciam um ser dos demais. Falamos, portanto, da natureza angélica, da natureza humana e da natureza das bestas feras.

A pessoa de Deus é bem distinta do panteísmo, que diz que tudo o que é agregado é Deus. Deus é tudo e tudo é Deus.

Como um ser pessoal, Deus é imanente e transcendente, isto significa que, Ele está na Sua criação e ao mesmo tempo acima de Sua criação.

Ele é uma pessoa na Sua criação e ao mesmo tempo Ele está separado e bem distinto dela.

Ele também está acima de Sua criação, isto é, Ele é maior que Sua criação, distinto dela e não faz parte dela.

A DOUTRINA DE DEUS

  1. Definição de doutrina.

A melhor maneira de definir a palavra doutrina é buscar seu significado nas línguas originais da Bíblia. 

A palavra doutrina, tal como conhecemos em nosso idioma, vem da língua latina (doctrina) e significa ensino.

No Antigo Testamento é a palavra leqach (lê-se lecar) que significa “o que é recebido” e aparece em Dt 32.2; Jó 11.4; Pv 4.2; Is 29.24.

Outra palavra é o substantivo torah. Seu significado é instrução, ditame, direção, lei. Esta palavra é usada para se referir aos cinco primeiros livros da Bíblia, também chamados de Pentateuco.

No Novo Testamento temos também duas palavras. A primeira é a palavra didaskalía. Em Rm 12.7; Rm 15.4; 2Tm 3.16 a palavra significa instrução, ensino num sentido ativo. Num sentido mais passivo (aquilo que é ensinado), a palavra aparece em Mc 7.7; Cl 2.22; 1Tm 1.10; 4.6; 2Tm 3.10; Tt 1.9.

A segunda palavra é didaquê. Esta palavra significa tanto o ato de ensinar como o conteúdo do ensino. Ela se refere ao ensino de Jesus (Mt 7.28: “… estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina e que seu ensino era de origem divina (Jo 7.16,17).

Tipos de doutrinas:

A Bíblia nos apresenta três tiposde doutrina: de Deus, de demônios e de homens.

1.1. Doutrinas de demônios.

Em 1Tm 4.1 lemos algo sobre “doutrina de demônios”. A palavra demônio vem da língua grega (daimonion) e significa espírito maligno, demônio.

O verbo grego (apostesontai) significa desviar-se, cair, retirar-se, torna-se apóstata.  O ato de afastar-se de Deus ou cair da fé pode ser facilitado por falsos mestres (Mt 24.11).

Esta apostasia vem através de homens por “obedeceram a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1Tm 4.1)

Com isso fica claro que Satanás está por detrás do erro doutrinário e das heresias.

1.2. Doutrinas de homens.

No entanto, Satanás não dissemina o erro sozinho.

O texto de Hb 13.9 diz “não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas […]”. As Escrituras nos advertem muito mais contra os ensinos de falsos mestres e pastores do que contra os erros promovidos por Satanás.

O texto de 2Co 11.14,15 diz que Satanás se transforma em anjo de luz e é capaz de transformar seus ministros (aqueles que estão a seu serviço) em ministros de justiça.

1.3. Doutrina de Deus

Estamos firmemente convencidos, que a Bíblia toda é a palavra de Deus, nossa única regra de fé e de prática (Ef 2.20; 2Tm 3.16; Mt 11.27). Deus mandou seus servos escreverem sua Palavra revelada (Êx 34.27; Sl 102.18; Ap 1.11,19).

O texto de Rm 15.4 diz que tudo o que foi escrito serve para o nosso ensino.  O único meio para conhecermos os ensinos/doutrinas de Deus é ler sua Palavra e meditar nela (Sl 1.1,2).

  1. A Natureza de Deus

O estudo da natureza de Deus deve ser feito como meio para se obter uma compreensão mais adequada dele e, portanto, um relacionamento mais íntimo com ele.

2.1. A Imanência e a Transcendência de Deus

Doutrina da imanência de Deus em sua criação e de sua transcendência em relação a ela. Jeremias 23.24, destaca a presença de Deus em todas as partes do universo. “Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? – diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? – diz o Senhor”. Nesse mesmo contexto, entretanto, a imanência como a transcendência aparecem juntas: “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe?” (v. 23).

O significado da imanência é que Deus está presente e ativo dentro de sua criação e dentro da raça humana, mesmo naqueles membros que não creem nele ou não obedecem. Sua influência está em toda parte. Ele age nos processos naturais e por meio deles.

O significado da transcendência é que Deus não é uma mera qualidade da natureza ou da humanidade; ele não é simplesmente o mais elevado dos seres humanos. Ele não é limitado à nossa capacidade de compreendê-lo. Sua santidade e bondade vão muito além, infinitamente além das nossas, e isso também é verdade em relação a seu conhecimento e poder.

Imanência significa que Deus faz grande parte de sua obra por intermédio de meios naturais. Ele não se restringe a milagres. Ele chega a usar pessoas descrentes comuns como Ciro, a quem descreveu como seu “pastor” e “ungido” (Is 44.28; 45.1).

Ele usa a tecnologia e as habilidades e o aprendizado humanos. Mas é importante ter em mente a verdade de que Deus é transcendente. Ele é infinitamente mais que qualquer evento natural ou humano.       

2.2. Implicações da Imanência

A imanência divina de grau limitado ensinada nas Escrituras envolve várias implicações:

(a) Deus não se limita a agir diretamente para cumprir seus objetivos. Embora seja bem óbvio que Deus está agindo quando seu povo ora e acontece uma cura milagrosa, é também ação de Deus quando, pela aplicação de conhecimentos e práticas medicinais, o médico é bem-sucedido, conseguindo restaurar a saúde do paciente.

(b) Deus pode usar pessoas e organizações e que não sejam declaradamente cristãs. Nos tempos bíblicos, Deus não se limitava a atuar por intermédio da nação da aliança, Israel, ou por intermédio da igreja. Ele chegou a usar a Assíria, uma nação pagã, a fim de punir Israel. Ele é capaz de usar organizações seculares ou nominalmente cristãs. Mesmo os não-cristãos fazem algumas coisas genuinamente boas e louváveis.

2.3. Implicações da Transcendência

A doutrina da transcendência possui várias implicações que afetam nossas outras crenças e nossas práticas.

(a) Existe algo mais elevado que os seres humanos. O bem, a verdade e o valor não são determinados pelo fluxo inconstante deste mundo e pela opinião humana. Existe algo que, de cima, confere valor à humanidade.

(b) Deus nunca pode ser completamente determinado pelos conceitos humanos.Isso significa que todas as nossas ideias doutrinárias, por mais que sejam úteis e corretas em sua base, não podem explicar plenamente a natureza de Deus. Ele não é limitado pela compreensão que temos dele.

(c) Nossa salvação não é conquista nossa. Não somos capazes de nos elevar ao nível de Deus, preenchendo os padrões dele para nós. Mesmo que fôssemos capazes de fazê-lo, ainda não seria conquista nossa.