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A importância da EBD no século XXI

Subtema: A EBD no século XXI e os desafios decorrentes da pós-modernidade

“A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não pode prescindir da continuidade da leitura daquele”.

(Paulo Freire – Abertura do Congresso Brasileiro de Leitura –    Campinas, novembro de 1981).

INTRODUÇÃO

No Mundo do Período Moderno conhecido por “modernidade”, o homem apegou-se à ciência, ao intelecto e a justificar tudo por meio da razão. Com isso, influenciou formas de interpretar as Escrituras. Explicar milagres, como a abertura do Mar Vermelho, a Ressurreição de Cristo, etc. através do campo científico.

Na “pós-modernidade” a verdade não é apresentada pela razão, ela é totalmente relativizada e condicionada ao olhar do indivíduo, gerando assim a pluralidade da verdade.

Para o homem “pós-moderno” uma verdade absoluta é inaceitável e a Escritura passa a ser estudada arbitrariamente, relativizada ou rejeitada nesse viés.

  1. O Perfil do Mundo no século XXI

Partindo do pressuposto de que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, entendo que, somente assimilando, compreendendo,apropriando-se eapreendendo,as características dapós-modernidade perceberemos qual deva(ter uma obrigação) ser o papel da EBD nesse contexto.

Como bem disse Stanley Grenz (1997, p. 28), “nós não fomos chamados para ministrar a uma época remota, mas para os dias de hoje, cujo contexto acha-se sob a influência da pós-modernidade”.

Daniel Salinas (1999, p. 26, 33-38), mostra que neste contexto depós-modernidadenão existe absolutos.

No tocante ao cristianismo,Salinas (1999, p. 26, 33-38), também fala que na pós-modernidade a salvação não tem só um caminho, mas diversos. Nesse contexto, nenhuma religião tem o direito de se achar a única dona da verdade.

Para o pensamento pós-modernoa “igreja boa é aquela grande, lotada de pessoas,bem acomodadas, ambiente climatizado, em que não tenha preocupação com a Palavra de Deus, mas tão somente agradar as pessoas com mensagens que lhes satisfaçam.

  1. EBD fórum para aperfeiçoamento dos santos

Fórum, não no sentido romano, como espaço físico onde ocorrem os debates do poder judiciário com seus tribunais judiciais, mas, como local específico onde se comenta, se debate, se apresenta conteúdos bíblico-teológicos objetivando o“aperfeiçoar santos” para a obra do ministério e para edificação do corpo de Cristo, conforme Paulo ensina em Efésios 4.11,12,14: 

11“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 12 querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo […] 14 para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”.

  1. Pensamentos mais comuns na pós-modernidade

A EBD como Agência Apologética deve, além do ensino regular, munir seus alunos no que diz respeito ao confronto das heresias pertinentes ao mundo pós-moderno.

3.1. O Sincretismo Religioso

Sincretismoreligioso é a fusão de doutrinas religiosas estranhas. É a absorção de um sistema de crenças por outro. É uma junção de diversas religiões com suas características e costumes diferentes.

A Igreja Católica tornou-se continuação da Roma pagã, resultado de um sincretismo entre paganismo e cristianismo. Tomou de empréstimo as doutrinas pagãs perpetuando o paganismo dentro de si. Como diz o historiador “o cristianismo não destruiu o paganismo, ele o adotou…” (WIL DURANT, p. 154, 1944).

Assim como o paganismo foi incorporado pela Igreja Católica, “versões evangélicas” das festas juninas, festejos ligados a santos católicos, foram substituídos por “arraiá dos evangélicos”. O quentão virou crentão. Para o Carnaval, criaram blocos carnavalescosevangélicos com a justificativa de evangelização, etc.

O Apóstolo Paulo diz que o sentar-se à mesa do ídolo é ter associação com os demônios.Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Co10.21).

3.2.Hedonismo

Para o hedonista, o prazer deve estar acima de tudo, o que importa é ser feliz. O prazer deve ser achado em tudo: trabalho, alimentação, família, estudos, vida amorosa.

Algumas igrejas estão a serviço dos seus membros para dar-lhes sustentação prazerosas. A música é gospel, o culto é agradável aos seus membros e por issoas pessoas estão dispostas a pagar para não terem mais problemas e chateações na vida. Para estas igrejas e seus líderes, Deus está aí para isso mesmo.

3.3. O Relativismo e a Bíblia

Na pós-modernidade não há “verdade absoluta”. Tudo é relativo, não há uma realidade verdadeira. Não há certo ou errado. Não há nada absoluto, nada totalmente bom ou mau e as verdades são oscilantes. Vale a ética do consenso, a opinião da maioria. Matar é tão certo quanto não matar. Roubar é tão certo quanto não roubar. Crueldade é igual à não-crueldade.

O apóstolo Paulo combate essa forma de pensamento acerca da verdade: “pois nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade” (2Co 13.8).

3.4. Mundanização

Mundanização em “termos bíblicos” é o que Satanás faz com o mundo. Mundanizar é fazer com que o pecado se torne cada vez mais normal na vida de cada ser humano.

Eis o apelo de Paulo aos romanos, Rm 12.1: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Rm 12.2 E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

  1. A importância da EBD no século XXI

Diante de tudo o que foi exposto, resta-nos perguntar, qual a importância da EBD diante de tamanho desafio para a igreja hodierna?

4.1.A EBD fiel depositária da verdade

Não poucas “igrejas hodiernas” ajustaram-se ao presente século, alterando sua forma de culto, com liturgia animada, com coreografia extravagante e instrumental aparatoso a fim de não “perderem” a membresia. Substituíram a adoração a Deus pela encenação, pelo mimetismo, pelo ritualismo, pelo emocionalismo ao bater de palmas, pululância, gingos e danças.

Nunca se deve esquecer que a EBD compartilha com a igreja da condição de fiel guardiã e esteio dessa verdade, conforme1Tm 3.15: “… para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade”.

4.2. Instrumento da interpretação das Escrituras

A EBD destaca-se na igreja como ferramenta do Espírito Santo para instrumentalização da verdade e combate aos modismos decorrentes do presente século.

Para John Stott (1997, p.184), “nós não podemos ser como varas sopradas ao vento, não podemos de maneira alguma nos curvar diante dessa sociedade com seu relativismo e sua rejeição ao absoluto”.

4.3. A EBD deve primar pelo ensino de Jesus Cristo

Quando o Senhor Jesus andou na terra, há dois milênios, apresentou-se como o único Salvador: “Eu sou a porta” (Jo 10.9); “Eu sou o caminho” (14.6); “Eu sou o Bom Pastor” (10.11); “Eu sou o pão da vida” (6.35), etc. Ele não disse que é uma das portas, um dos caminhos, etc. Ele declarou — claramente — que é a porta, o caminho, para a salvação. Em outras palavras, não existe outro Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5) nem outro Advogado junto ao Deus Pai (1Jo 2.1,2).

CONCLUSÃO

Isto posto, resta-nos plagiar Judas irmão de Tiago:

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, 21 conservai a vós mesmos na caridade de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna. 22 E apiedai-vos de alguns que estão duvidosos; 23 e salvai alguns, arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia com temor, aborrecendo até a roupa manchada da carne”.